segunda-feira, 30 de março de 2009

Valeu, pessoal!!!


Amigos e parceiros,

no último sábado rolou o ensaio aberto do nosso trabalho "Ventaneio". Um momento especialíssimo que não poderia deixar de ser registrado aqui.

Um público de umas 30 pessoas, todas queridas e amigas e uma tarde chuvosa em BH. Esse foi o cenário que abraçou o nosso ensaio. Muitas idéias novas, trocas, impressões, sugestões e alegrias!

Agradecemos de coração a todos que se aventuraram a participar desse processo com a gente.

Juninho, obrigada pela operação de som! E além do maridão da Carol que nos ajudou com o som, agradecemos também a todos os nossos familiares que tanto nos deram força!

Agradecemos ainda à III Igreja por nos acolher.

Um obrigada muitíssimo especial aos amigos fiéis e cheios de fé na gente!

No final do ensaio, suquinhos, cataventos, papos e a certeza de que estamos no caminho certo!

Que venha a estréia! Bjo pra todos,

Catavento.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ensaio Aberto

Convidamos todos vocês* para o ensaio aberto do trabalho

Dia 28 de março (sábado)
16h
R. Uberlândia, 620, Carlos Prates (III Igreja Presbiteriana)
Será um momento muito bacana quando poderemos trocar idéias e bater um bom papo!
Então, esperamos vocês lá!
*Por favor, confirme sua presença pelo email cataventodp@gmail.com (até o dia 26 de março)

terça-feira, 10 de março de 2009

Do caminho até a estréia

Foto de Camilo Queiroz
Olá pessoal,

Como alguns já sabem, o catavento já tem a estréia "oficial" do seu trabalho marcada: 10 e 11 de abril, durante a 25º edição do Som do Céu - evento artístico e musical que promete esse ano (às 15h nos dois dias).

Até lá, muito trabalho e correria. Temos tentado aproveitar ao máximo nossos encontros e ensaios.

Deus tem feito muita coisa bacana desde o início do grupo (acabei de pensar que seria legal contar a história de como tudo começou... aguardem). Uma das tantas especiais tem sido nossos encontros com a Dani Lopes. A Dani tem sido nossa professora; aulas tão gostosas e bem feitas! Bom demais da conta! Valeu, viu, Dani?

Seguindo na caminhada até o palco, a gente já agendou um ensaio aberto, dia 28 de março (sábado), às 16h. Quem quiser conferir, fique ligado que vamos colocando mais detalhes aqui no blog. Sintam-se convidados, todos vocês!

Quanto ao Som do Céu, quem quiser ter mais informações é só acessar o blog do evento http://www.somdoceu2009.blogspot.com/

Vamos nessa... um beijo grande, Carol.





quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Trechos de Dudude



“A dança contemporânea caminha pelo viés do corpo, do movimento orgânico não convencionado, dando à vida cotidiana, ao seu gesto mínimo, uma dimensão artística provinda da sensibilização do olhar e de um processo de conhecimento e conscientização do próprio corpo.”

“Para dançar, é preciso estudar o mundo e estar disposto a perder o corpo, para reencontrá-lo liberto em sua potência de expressão. É preciso andar pelas linhas de fuga, reconhecendo que as coisas são cíclicas e estão em movimento. A arte é mutável, hoje eu tenho esse corpo, amanhã será outro.”

"A arte representa uma mudança de espaço - os sentidos dilatam, vem o invisível. A experiência do tempo se modifica. Dessa forma, a função do artista é mudar o estado das coisas, fazer uma pedra virar um coração.”

“O corpo é como a areia. A mente é como o vento. Para reconhecer o percurso da mente, é preciso reconstituir seu desenho movente na areia dos corpos.”



*Dudude Herrmann trabalhou em inúmeros espetáculos como coreógrafa e bailarina. Coreografou e deu aulas na Companhia de Dança de Minas Gerais e no 1° Ato Grupo de Dança. Em 1992, criou a Companhia Dudude Herrmann - hoje chamada Benvinda Cia de Dança. De lá pra cá, foram diversos espetáculos e uma trajetória marcada por prêmios. Seus últimos trabalhos são “O Armário” (1999), “Barrocando” (2000) e “4 Solos para 3 Intérpretes” (2002). Por dez anos coordenou a área de dança do Festival de Inverno da UFMG e já completa vinte e cinco anos de trabalhos como professora. Hoje, promove em seu estúdio incontáveis eventos, cursos e encontros e continua a refinar a pesquisa da consciência corporal.
http://www.dududeherrmann.art.br/

[Retirado de texto publicado em periódico da Fundação de Educação Artística (nº2) – Perfil, 08 de novembro de 2002].

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009



“Tudo que mexe com o corpo é positivo, sem exageros, é claro. Só quero apontar o fato de que a dança exige muito mais do que o simples suor. A compensação durante e depois também é infinitamente maior, superior. Nenhuma coreografia é igual à outra, nenhum espetáculo será igual ao outro e assim a gente vive aprendendo, sempre se reciclando. Nem se a gente se esforçasse para fazer os espetáculos rigorosamente iguais, a platéia seria sempre diferente. É aquela mágica relação palco-platéia que dá tanta emoção. (…)Eu pessoalmente não acredito que a pessoa pudesse passar pela vida sem nunca ter dançado. (…)Essa sensação de felicidade, de plenitude, aqueles que não experimentaram a dança não conhecem.” (de ZDENEK HAMPL, trecho do seu livro "Constante Movimento", lançado recentemente)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Falando de arte

O texto abaixo fala sobre música, mas fala também sobre arte, sobre dança, sobre o dom sublime e divino do fazer artístico. Vale a pena conferir:

No balanço do samba do avião, lembrando a bossa nova e e música na Igreja Brasileira

por Nelson Bomilcar

Meses atrás, estava visitando a exposição de comemoração do aniversário da bossa nova no Ibirapuera em São Paulo, que foi muito bem feita e se tornou um marco cultural na cidade. São Paulo é cenário de muitos movimentos culturais e artísticos. Impressionante o número de estrangeiros neste evento. Ouvir e ver vários filmes, documentários, depoimentos, contexto social, econômico e político da época, registros de Jobim, João Gilberto, Vinícius de Morais, Johnny Alf, Roberto Menescal, Nara Leão, Carlos Lira Edu Lobo, e tantos outros, trouxe boas lembranças e influências em minha vida e família, bem dentro de nossa casa e de nosso toca-discos. Período de final de ditadura, dos festivais da Record, das orquestrações do Ciro Pereira e do inovador Rogério Duprat. E no pano de fundo, as canções da dupla Lennon e McCartney e as tabelas de Pelé e Coutinho no Santos.

Minhas irmãs Marina e Dora receberam seus nomes de minha mãe, homenageando um dos seus compositores favoritos (Caymmi). Meu irmão Roberto “São José” Bomilcar se tornou um pianista que conhecia, ensinava e tocava tudo da música brasileira nos shows e nas faculdades, além do jazz que tanto ama. Fomos vizinhos dos irmãos Godói: Amilton (Zimbo Trio), Adilson, Amilson, do Hermeto Paschoal, e respiramos as aulas e o ambiente da escola de música CLAM, vendo nossos filhos iniciarem suas trajetórias na música cantando Tom Jobim, Edu Lobo, Ivan Lins e outros. Roberto acompanhou, durante anos, vários intérpretes da música brasileira em trios, quartetos, big-bands e também na Jazz Sinfônica. Ele estava naqueles dias da exposição no Ibirapuera, ao lado no prédio da Bienal, tocando para o público no espaço e programa especial da bossa nova “Piano ao cair da Tarde”, veiculado pela rádio Eldorado.

“Chega de saudade, que nada”, pensava eu, pegando carona no título do livro escrito de Ruy Castro, que veio de fato matar (ou alimentar?) esta saudade; queria mais curtir aqueles momentos mágicos da criatividade presentes em nossa maravilhosa cultura e dos movimentos criativos que brotaram nela e na história de nosso país.

Com 35 no evangelho e no contexto da igreja, tentei com mais alguns músicos, compositores e autores (Wolô, Pimenta, Guilherme Kerr, Aristeu Pires, Edy Chagas, Arthur Mendes, Jorge Camargo, João Alexandre, Edson e Tita Lobo, Carlinhos Veiga, Jorge Rehder, Janires, Josué Rodrigues, Gerson Ortega e tantos outros), contribuir e mudar um pouco do curso, do conteúdo e da sonoridade do que acontecia até então dentro dela.
Este movimento, em muitas décadas,continua fértil e crescente hoje na música de excelente conteúdo de Gladir Cabral, Gerson Borges, Stênio Marcius, Edílson Botelho, Glauber Plaça, Rubão, Vandilson Morais, Wanda Sá, Silvestre Kuhlman, Arlindo Lima, Mário Valadão, o surpreendente e renovador grupo Crombie, Roberto Diamanso, e outros, fora os excelentes músicos, arranjadores e produtores que temos hoje em nosso meio: Ervolini, Marcos Cavalcante, Thiago Pinheiro, Maurício Caruso, Daniel Maia, Wiliams Costa Junior, Marinho Brazil, Erlon Oliveira, Davi Lisboa Neto, Domene, César Elbert, Felipe Figueiredo, Hilquias Alves, Bruno Migotto, Marinho Andreotti, Cláudio Rocha, Marcos Godói, dentre tantos que poderíamos citar.
Mesmo assim, constato que quase sempre acordamos tarde, chegamos depois ou ocupamos os espaços atrasados no tempo, inclusive pela mentalidade fechada, retrógrada e engessada do segmento protestante brasileiro, que excluiu indevidamente - por décadas - as artes e a cultura dos “terrenos sagrados” em que poderíamos ou deveríamos atuar e estar na sociedade.

A profissão e a atuação do artista foram consideradas dignas pelo Deus Triúno e Autor da Criação, como todas as outras, e não foi discriminada. A Arte em si, em sua mais profunda essência e primeira manifestação, acontece junto do movimento criador e criativo (Gênesis) e é anterior a qualquer religião estabelecida na história do homem. Fomos criados para desfrutar dela na companhia do Criador, inspirador e realizador de tudo.

Neste último final de semana, saindo de São Paulo rumo a Fortaleza, um pouco deste movimento na história veio de forma generosa no balanço do avião que peguei. Fizemos escala no Galeão e pude contemplar mais uma vez a Baía da Guanabara, Corcovado, Pão de Açúcar. Estava esperando os que embarcariam no Rio, lendo a revista Cover Guitarra que havia comprado com uma matéria central sobre o trabalho do Maurício Caruso, querido irmão, arranjador e guitarrista que toca comigo na Confraria das Artes.

Estava grato a Deus pelo testemunho e pela presença dele exercendo sua profissão e sendo reconhecido no meio artístico. Sentado em minha poltrona e com emoção, vejo a ”tchurma” ou parte da bossa nova começando a entrar no avião: João Donato, Roberto Menescal, Os Cariocas, Marcos Valle e outros me fizeram desejar compor outro e novo "Samba do avião”, sabendo hoje que o Cristo Redentor vivo, não o da Guanabara, recebeu-me de braços abertos e habita faz 36 anos também no coração do colunista aqui, simples mortal, e que isto me fazia olhar todos ali com outros olhos, mas com a mesma admiração.

Mas, não foram somente eles que entraram neste avião: entraram também quatro personagens (irmãos) conhecidos da mídia evangélica e que fazem a chamada música gospel do segmento de mercado que tem deixado de lado o próprio evangelho, cada um de uma gravadora do meio. Não vi ali a simplicidade e a acessibilidade que encontrei naqueles outros que, com sua música e criatividade, mudaram a sonoridade da música no Brasil e influenciaram o mundo com a bossa. A fauna e a flora ali naquele vôo, e não tinha para onde correr. Não vou citar os do mundo gospel para não pegar carona ou popularizar indevidamente este artigo. Todos os do “gospel” sentaram para trás no avião, dois deles com “seguranças”, e pensei eu com meus botões criticamente... atrás de novo... na história passada, na recente, no avião também... mas em matéria de postura soberba, estavam numa altitude similar ao do vôo... que tristeza.

Fiquei ali na parte do meio do avião, já que tínhamos quase três horas para chegar, puxando papo com um ou outro da bossa nova, ouvindo histórias, e falando um pouco da música popular cristã. Tento deixar um acervo no programa que faço na rádio Transmundial (Sons do Coração). Os da bossa -puxa - gente simples mesmo e atenciosos......como temos que aprender! Já sabia que os mais familiarizados com o evangelho eram João Donato e o próprio Menescal, graças à influência e ao testemunho da excelente violonista e cantora Wanda Sá, contemporânea de bossa, nossa irmã de fé.

O avião pousou e terminara aquela curta, inusitada e inesquecível viagem. Não poderia assistir ao show deles à noite, pois tocaria em outro evento no mesmo horário, falando sobre a “Arte a serviço do reino de Deus” em nossa pequena e tímida história. Porém, rica e emocionante. Simultaneamente na sexta onde falei, estava acontecendo aqui em São Paulo o II Fórum do Cristianismo Criativo, promovido pela W4 Editora, com o tema do livro do Frank Schaeffer: “Viciados em mediocridade?”, com a participação do Jorge Camargo e o Gerson Borges, mediados pelo Pavarini. O Gladir Cabral não poderia vir mais, pela tragédia das chuvas e dos deslizamentos acontecidos em Santa Catarina. Fica para a próxima!

Fiquei feliz por ter este espaço aberto para reflexão, conscientização, ensino, crítica e desafio para os artistas cristãos ocuparem seus espaços, fazendo arte com beleza, expressões culturais diversas e integridade. Não deveríamos ter saído dos espaços culturais, do exercício profissional, para inclusive sermos sal e luz. Estamos retomando e ocupando lugar e presença. Mas com muito atraso! Não sejam, então, nossas sinceras pretensões utópicas. Façamos singelamente o que é possível, com os pães e os peixes de que dispomos, “cada macaco no seu galho”, mas numa mesma floresta e aldeia.

Abri o jornal de sábado de manhã em Fortaleza, depois da quinta e sexta inusitadas e vi anunciado dois shows do Tom Zé marcados para a noite e no domingo também. Fiquei alegre e esperançoso, pois sabia que o Daniel Maia, amigo e companheiro de canções, estava no time deste “ícone” da música brasileira. Ele é o arranjador e guitarrista do Tom hoje. “Ó nóis aqui traveis.....”. Artistas precisam também de orações, encorajamento e acompanhamento onde estiverem.

Estamos marcando presença como bons artistas profissionais e, de quebra, levando a luz de Jesus para brilhar no meio artístico sempre que possível. Nossa ausência não ajuda em nada. É terreno igualmente sagrado a ser ocupado. São sinais de esperança! Nem tudo está perdido! Adoração a Deus é também nossa presença no mundo das artes com excelência . Tem muita coisa boa que vem acontecendo e projetos surgem pela frente!

Bom, agora no bom sentido da expressão, chega de saudade. Desafios novos para fazer no mundo das artes e no mundo contemporâneo. Resgatar e ocupar espaços. Aprender com a história e o conteúdo da cultura e da arte. Novos sons, novos tons, novas telas, novas palavras, novas cores, novos textos, novas peças, novas coreografias, nova estética, novas danças, novas contextualizações, regadas e inspiradas pelo Criador de ontem, hoje e sempre!
texto publicado no www.cristianismocriativo.com.br

Catavento Indica: Livro de Guido Conrado

É até difícil indicar um livro se muitos valem a pena serem lidos. Dentre os escritos por autores cristãos, fico feliz em perceber muitos que “nadam contra a correnteza” do mercado gospel. Como primeira opção, indico um livro que, talvez, muitos de vocês não conheçam: “5 pães e 2 peixes – dons e talentos no ministério de teatro”, de Guido Conrado (Ed. Vida).
Começo falando sobre o autor. Um grande amigo e excelente profissional, a começar por sua formação: mestre em Filosofia da Arte e Estética, teórico em teatro, diretor e dramaturgo, graduado em Artes Cênicas. Tive a oportunidade de conhecer o Guido há alguns anos atrás (nossa! Já faz muito tempo! 2003, eu acho). Na verdade, nos conhecemos pela internet, ambos carentes por ver boa produção artística na igreja. Tentamos fazer alguns trabalhos juntos (nunca dava certo) e não é que nos conhecemos pessoalmente no Som do Céu? Eita lugar especial! Enfim, fiquei muito feliz quando o Guido me contou que tinha publicado seu livro. Já tinha lido textos e artigos dele e sabia que o livro era coisa boa!
De fácil leitura e muito dinâmico, “5 pães e 2 peixes” traz princípios, conceitos e orientações indispensáveis pra quem trabalha com teatro na igreja. Os títulos dos capítulos traduzem bem a proposta do livro: “Um convite à autocrítica”, “Olhando ao seu redor”, O teatro: história e teoria”, “Trabalhando os recursos”, “Peças” e “Alguns conselhos práticos”.
Na verdade, o livro pode e deve ser lido por qualquer um que é envolvido com artes na igreja. Músicos, dançarinos, escritores e amigos da arte terão inúmeras surpresas ao lerem questões e reflexões com as quais certamente se identificarão.
Termino registrando o desejo do autor com relação ao teatro na igreja que também é o meu com respeito à dança e à música (e à todas as manifestações artísticas, certamente) e, creio, do Som do Céu, que tanto tem revelado “boa arte” ao longo de todos esses anos:
“Que nossas igrejas se encham de arte, que nossa arte se encha de fé, mas que, de uma vez por todas, sepultemos a realidade de que teatro em igreja é sinônimo de algo feito por gente despreparada e visto por um público desprovido de parâmetros para exercer julgamento crítico.” (p. 11)
texto escrito por Carol Gualberto para o www.somdoceu2009.blogspot.com

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A palavra “coreografia”: sua história e sua origem



[...] O termo “coreografia” tem um contexto histórico variado, ele é derivado da palavra coreia (χορεία), uma dança grega dançada em círculos e acompanhada por canto. Derivados da palavra coreia são usados para descrever danças de círculo em alguns lugares: Khorovod (Rússia), Hora (Romênia, Moldova, Israel), Horo (Bulgária). Paracelsus usou o termo “coréia” para descrever os movimentos físicos rápidos, dos viajantes medievais.

Raoul Feuillet e Pierre Beauchamp usaram uma adaptação da palavra coreia para descrever a notação da dança. Chorégraphie de Feuillet (1700) ajustou o termo para um método da notação da dança e estabeleceu-se o termo chorégraphie (coreografia) para a escrita, ou notação das danças. Assim, uma pessoa que escrevesse para danças era um choreographer (coreógrafo), mas o criador das danças era conhecido como um “mestre da dança“ (Le maître un danser) ou, em uns anos antes, um “mestre do ballet”.

Desta forma, o termo “coreografia” surge na dança em 1700, na corte de Luiz XIV, para nomear um sistema de signos gráficos, notação da dança, capaz de transpor para o papel o repertório de movimentos do balé daquela época. Seu criador, Raoul Auger Feuillet, mestre de balé, introduziu seu neologismo que literalmente quer dizer a grafia do coro. Vem do grego choreia (dança), e graphein, (escrita), significando a arte de criar e compor uma dança.

A rejeição do vocabulário e dos termos do ballet pela dança moderna resultou no termo “coeógrafo” que substitui o “mestre do ballet” e conseqüentemente a “coreografia” veio significar a arte de fazer danças.

A partir do século XIX, a técnica de “escrever o movimento” recebeu um nome: “notação coreográfica”. O termo coreografia passou a significar a arte na composição da dança, e o coreógrafo, o profissional que coordena essa composição.

Não se sabe ao certo como aconteceu a mudança no emprego do termo coreografia como sistema de notação para estrutura de organização dos movimentos do corpo no tempo e no espaço, a hipótese provável é de que, como em outros casos, a marca coreografia tenha assumido tamanha popularidade que substituiu o produto dança. Sabe-se, no entanto, que foi Serge Lifar quem publicou o Manifesto Coreográfico 1935, onde coreografia aparecia em sua nova acepção. Este manifesto seguiu a lógica de outros manifestos da época em diferentes áreas da arte, não trazia uma sistemática de abordagem prática, e sim, apresentava linhas gerais nas quais a arte da dança deveria se pautar [...]

(trecho do texto "A Escrita da Dança: pequeno histórico da notação sobre a notação do movimento" de Ana Lígia Trindade, publicado no Idanca)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sexta-Feira Especial

Carol Gualberto, no II Fórum de Cristianismo Criativo

Não poderia deixar de registrar aqui a minha experiência no último fim de semana. Na última sexta-feira (dia 21/11), rolou o 3º encontro do II Fórum de Cristianismo Criativo, promovido pela W4 Editora e pelo Portal Cristianismo Criativo. O evento aconteceu na Livraria Cultura, em SP, e contou com a participação de 80 pessoas.

A noite teve início com uma palavra da Whaner Endo que apresentou o fórum e fez aquela introdução básica. Em seguida, um vídeo produzido pelo "Plataforma" (se vc ainda não conhece, acesse www.plataforma.art.br) e a minha apresentação de um trecho do trabalho que o catavento tá construindo. Logo depois, um pocket-show de Jorge Camargo e daí as entrevistas comigo e com o Jorge, feitas pelo Sérgio Pavarini. Um momento especíalíssimo!!! Quem foi ou acompanhou on-line pela net sabe disso.

Depois, uma saídinha básica com muita gente bacana e que tem trabalhado muito pra que a arte "cristã" deixe o estágio da mediocridade e volte a ser relevante e bela como nos tempos de Handel, da Vinci e Bach. "Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum."

Me marcaram as boas conversas, as pessoas tão interessantes, a produção de cada um, o sentimento comum de que o catavento tem muitos parceiros nessa caminhada!

Um beijo especial para Whaner e Ana Endo (W4 Editora e Portal CC), Davi Julião e Carol Gama (Plataforma), Sérgio Pavarini (PavaBlog), Gedeon Alencar ("Protestantismo Tupiniquim", Ed. Arte Editorial), Luiz Pequeno (Virá) e Jorge Camargo.
Carol Gualberto

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Muito mais que um fórum


Escrevo sob o impacto do que vivi na Primeira Igreja Batista em Bultrins (Olinda/PE), durante o VII Fórum Popular de Reflexão Teológica, cujo tema foi "Igreja, Evangelho e Cultura".

Tenho muito pra contar sobre a igreja, seu foco, suas pessoas, sua comunidade. Mas vou deixar pra um outro momento. Por enquanto, quero destacar o seu grupo de arte, como prova viva de uma belíssima aliança e troca entre cultura e evangelho. Evangelho genuíno na dança, nas cores, nos pés, nas rodas, na cultura de Pernambuco vivenciada e revelada em cada detalhe, em cada movimento.

Fica em mim (e certamente no catavento) a esperança crescente de uma igreja verdadeiramente viva e atuante, que se relaciona com a comunidade, que se abre para o povo, que se multiplica e se constrói a partir e na cultura.

O que vi foi genuína "dança cristã" ou "dança de adoração" (que evidencia Deus) ou "dança profética" (que traz sinais do Reino) ou "dança litúrgica" (liturgia enquanto celebração no nosso dia-a-dia) ou sejá lá que nome novo já inventaram para a dança produzida por cristãos...

E dizem que eu é quem fui convidada pra palestrar, pra dar oficina...

Valeu a pena! Valeu muito a pena!

Carol Gualberto


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Qual é a sua dança?

por Carol Gualberto
Passeando pela internet, sempre desejando entender como os cristãos têm se relacionado com a dança, esbarrei em uma pesquisa on-line que perguntava: Qual é a sua dança preferida? Para responder, bastava escolher uma das opções: dança moderna, balé moderno, balé clássico, dança litúrgica, dança de rua, dança hebraica e dança espontânea.

Passeando pela cidade e observando os letreiros, li a placa de uma grande academia que, dentre tantas modalidades corporais como Jazz, Musculação, Balé Clássico e Jiu-Jitsu, oferecia ainda o curso de Dança de Adoração.

Passeando por aqui e com uma profunda inquietação, optei por “dar a cara a tapa” e dizer que, em meio a tantas opções esquisitas, ainda não me encontrei. Qual é a minha dança? Quem pergunta certamente não sabe muito bem a enorme diferença entre dança moderna e balé moderno, quanto mais os fundamentos (se é que eles existem) das danças litúrgica e espontânea. Ainda assim, percebo-me um “peixe fora d’água”, sem lagoinha pra nadar.

O que define a dança? Sua técnica, seu intuito, seu contexto? Será que essas danças com nomes gospel têm como objetivo santificar a dança que a igreja acredita ser tão mundana e impura?O que significa ter aulas de Danças de Adoração ou Dança Profética? Se a Bíblia já define o que é adoração (Colossenses 3:17 – “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.") porque preciso fazer aulas pra aprender a adorar com a dança? Ela, que por si só, pode adorar a Deus a partir do momento em que eu faço uma coreografia bem feita, ainda que a mesma não tenha uma temática óbvia cristã. Posso adorar a Deus com danças fazendo uma boa aula, ainda que o curso seja de dança-afro ou qualquer outra dança “menos sacra”. Se busco crescer, estudar, pesquisar e me aperfeiçoar corporal e tecnicamente, estou adorando a Deus, ainda que focada mais no corpo (ou seria carne?) que na “alma”.

E com toda essa confusão e bagunça espiritual, descobri que adorar a Deus é, essencialmente, tratar o assunto com seriedade e propriedade, não sendo levado por qualquer nova onda que surge, legitimando bizarrices e loucuras ─ a-danças inventadas em nome de Deus.

Qual é a sua dança? Dentre as opções sugeridas pelos modismos evangélicos, ainda não encontrei a minha resposta. Espero que você também não.
(texto escrito para o Portal Cristianismo Criativo)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Não dá pra perder



Se você é de SP ou não é de lá e tem a oportunidade, não deixe de comparecer à 28 Bienal Internacional de Arte de SP. Tipo de programa bom e interessante pra qualquer idade, qualquer idéia, qualquer pessoa.


Desde 26 de outubro até 06 de dezembro. De terça a domingo, das 10h às 22h.


sábado, 1 de novembro de 2008

Que dança a gente dança


"Essa tal de dança contemporânea"

– Tu faz dança? Que legal! Mas que tipo de dança?– Dança contemporânea.
O sujeito fica parado e depois de vencer o constrangimento:
– Mas o que é essa tal de dança contemporânea?
Daí o vivente, que faz dança contemporânea e sabe bem o que faz, se vê em apuros para dar uma resposta clara. Afinal, dança contemporânea não é uma técnica ou método que vem com rótulo. Então, ele arrisca:
– Sabe o Quasar Cia. de Dança? – que o vivente acha referência no país e crê ser bastante conhecida.
O sujeito permanece na mesma.
– E o Grupo Corpo? – ele lembra, já entrando em desespero. – E Deborah Colker? – ainda que não fosse o melhor exemplo que você quisesse dar.– Ah, já vi na televisão, responde o sujeito finalmente com um brilho no olhar de quem agora pode encerrar a conversa.
E o vivente, com a certeza de que não conseguiu explicar e que melhor que explicar era sugerir que assistisse a um espetáculo.


A realidade é esta que o suposto diálogo acima ilustra. A idéia de dança contemporânea não consolidou uma referência para a maioria do público (e mesmo para a comunidade de dança), ainda mais num Estado que vê com desconfiança aquilo que não é tradição. E isso vale muitas vezes para quem produz, ou acha que produz, dança contemporânea. Basta ver a confusão em tantos festivais competitivos. O território da dança contemporânea é um vale-tudo. Passos de jazz com música experimental. Neoclássico ao som do diálogo dos bailarinos. Dança de rua com um toque de vanguarda. E a obra, nesta lógica estapafúrdia, é avaliada por especialistas de toda ordem, menos de dança contemporânea.
Esta realidade tem como origem a rara circulação de informações e o consumo de informações descontextualizadas e superficialmente elaboradas. A qualidade dessas informações é essencial e precisa ser difundida a quem pretende preparar um treinamento, criar, julgar e apreciar a dança contemporânea. Não dá para saborear morangos e reclamar de que não têm gosto de figos. Ninguém curte uma partida de futebol sem conhecer as regras do jogo. Nesse sentido, é preciso apresentar alguns fatos, ainda que de forma sintética, para que eles possam falar desta tal de dança contemporânea.
Fato 1. A dança contemporânea não é uma escola, tipo de aula ou dança específica, mas sim um jeito de pensar a dança. Forjada por múltiplos artistas no mundo, teve nas propostas da Judson Church, em Nova York, na década de 60, sua mais clara formulação de princípios. Dentre eles, o de que cada projeto coreográfico terá de forjar seu suporte técnico. E que ter um projeto é percorrer escolhas coerentes, como o fez Trisha Brown – e também, longe dali, na Alemanha, Pina Bausch, com sua dança-teatro, nos anos 70. Tal princípio implicou tanto a preservação de aulas de balé nutridas por outras técnicas e linguagens quanto o abandono do balé e a incorporação, por exemplo, de técnicas orientais. Assim, passou a se constituir uma infinidade de alternativas, como o teatro-físico do DV-8 (companhia inglesa composta só por homens, que aborda a homofobia e que recorreu ao uso de corpos que expressam força, agressividade e sexualidade, coisa que o balé não podia fornecer).
Fato 2. Não há modelo/padrão de corpo ou movimento. Portanto, a dança não precisa assombrar por peripécias virtuosas e nem partir da premissa de que há “corpos eleitos”. Na dança contemporânea, a máxima repetida por pedagogos ortodoxos de que “não é tu que escolhes a dança, mas a dança que te escolhe” não tem sustentação. E, dessa forma, pode-se reconhecer a diversidade e estabelecer o diálogo com múltiplos estilos, linguagens e técnicas de treinamento.
Fato 3. Dança é dança. A dança contemporânea reafirma a especificidade da arte da dança. Dança não é teatro, nem cinema, literatura ou música. Apesar de poder ganhar muito com a cooperação dessas artes. A dança não precisa de mensagem, de história e mesmo de trilha sonora. O corpo em movimento estabelece sua própria dramaturgia, sua musicalidade, suas histórias, num outro tipo de vocabulário e sintaxe.
Fato 4. The Mind is a Muscle, proclamou Yvone Rainer quando a dança pós-moderna norte-americana abalava o estabilishment. Pensamento e corpo, tão separados na tradição ocidental, não são entendidos como lugares estranhos um ao outro. Até mesmo a ciência já traz evidências de que razão e emoção não são opostos. O pensamento se faz no corpo e o corpo que dança se faz pensamento. Isso não implica uma cerebralização fria, no caminho de uma dança conceitual, nem na biologização vazia da dança. Tal princípio não exime a qualidade técnica, nem o sabor e o prazer de dançar. Ele ressalta a complexidade que precisa ser compreendida.
Tais fatos precisam começar a ecoar, se o objetivo é saber o que é esta tal de dança contemporânea, que as pessoas insistem em dizer que fazem e que insiste em permanecer em cartaz em teatros, calçadas, estúdios [...] A partir desses fatos, pode-se muito (mas não se pode qualquer coisa). A liberdade trazida pela perspectiva da dança contemporânea não dispensa idéias fortes e a inventividade das grandes obras de qualquer forma artística, nem um domínio técnico (ainda que isso não caiba mais apenas nas esfera do aprendizado de passos corretos). A dança contemporânea evidencia que escolhas estéticas revelam posturas éticas. Numa época de tantas barbáries impostas ao corpo, é preciso recuperar esta ética quando se escolhe fazer arte com o corpo – seja o seu, seja (principalmente) o dos outros.
A dança contemporânea parece ter aceitado a provocação, com ecos de contemporaneidade, de Jean George Noverre. O mestre de dança, em 1760, ao falar sobre o balé e as rígidas regras da dança da época, afirmava: “Será preciso transgredi-las e delas se afastar constantemente, opondo-se sempre que deixarem de seguir exatamente os movimentos da alma, que não se limitam necessariamente a um número determinado de gestos”. Num mundo de tantas conquistas e descobertas sobre nós, seres humanos, seria no mínimo redutor ficar tratando a dança como apenas uma repetição mecânica de passos bem executados. Fazer tais passos, na música, ursos, cavalos e poodles também fazem. Creio que o ser humano pode ir mais longe que isso. Talvez este seja o incômodo proposto por esta tal de dança contemporânea. O de que podemos ser mais e muitos.

(texto de Airton Tomazzoni, extraído de Idança)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Catavento Indica: Quasar cia de dança

Que tal um pouco de "Quasar"? A companhia que já tem 20 anos de estrada tem se apresentado em SP e segue, no meio de novembro, para a Alemanha. Conheça mais um pouco da Quasar e confira mais detalhes dessa sua temporada no site http://www.quasarciadedanca.com.br/ .


O trecho abaixo é do trabalho incrível da companhia entitulado "'Só tinha de ser com você". E é com esse espetáculo que o grupo está circulando nessa temporada. Sugestão nossa pra conhecer mais coisa boa e ter um momento especial, em meio à correria louca do dia:


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Pra você ler


Uma oportunidade muito bacana que tive foi a de publicar o livro "Dança: o que estamos dançando? Por uma nova dança na igreja". O livro tem como objetivo promover uma ampliação do conhecimento em Dança, propondo uma reflexão sobre a produção nessa área artística e novas possibilidades de criação e trabalhos. O livro foi escrito e publicado antes do "catavento", mas tem tudo a ver com a proposta do grupo. Então, se você quiser saber um pouquinho mais sobre algumas idéias nossas, vale a pena adquirir o livro que se encontra disponível em várias livrarias (que trabalham com materiais cristãos ou não) e também no site da editora (http://www.hagnos.com.br/).