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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Hoje

Paula Davis dançando no ArteCéu (Som do Céu 2011)


Como estivemos um tempinho fora do ar, há muita coisa pra contar pra você que nos acompanha. Mas devagarzinho vamos atualizando as novidades no blog pra que você vá se situando.

Bom, desde o nosso último post, o Catavento já esteve de férias, já descansou, já recortou, desdobrou, enquadrou, já voltou ao trabalho, já dançou, ensaiou, conversou, orou... ufa! Foram muitos acontecimentos!

Como vocês já sabem, estivemos no Arte em Foco em novembro (nossa última apresentação do ano de 2010, que aliás, foi uma grande alegria e um privilégio pra nós). Temos um pequeno video da apresentação e uma entrevista, que postaremos aqui futuramente pra que vocês tenham uma melhor idéia de como foi esse evento.

Em nossos últimos encontros do ano, logo após o “Arte em Foco”, registramos em video nossos laboratórios de criação para futuras produções do grupo e fizemos um pequeno balanço do nosso ano, refletindo sobre nossa caminhada e apontando novas perspectivas.

Recebemos a notícia de que nossa querida Camila iria começar a trilhar outros caminhos, além Catavento, seguindo a direção de Deus pra sua vida. Claro que sentimos muito a sua saída, contudo, nos alegramos por saber que seu coração está em paz e feliz com a decisão tomada. Desejamos a ela tudo de bom na nova trajetória!

Ah, é bom lembrar que o 2º semestre de 2010 trouxe para nós a enorme alegria da gravidez da Carol, após muita expectativa. Pudemos ver e acompanhar a manifestação do milagre de Deus na sua vida em cada um dos dias, dos 9 meses, em que Marcela estava sendo gerada. Agora é um novo tempo pra Carol: a Marcela nasceu no dia 28 de abril e está lindinha e cheia de saúde, sob os cuidados mais que especiais da mamãe e do papai coruja, Juninho, e de toda a família que a recebeu com grande festa.

Começamos 2011 sob a expectativa de como seria o ano do Catavento, com a Carol gestante, a Paula tratando de questões de saúde, que depois ela mesma conta por aqui, eu (Vitória) cursando o penúltimo módulo da pós-graduação e Fabrícia também cuidando de várias questões familiares e profissionais.

E assim, as coisas foram acontecendo simultaneamente...

Hoje o Catavento, seguindo a idéia de coletivo, vem se desdobrando multidisciplinarmente em atividades diferentes, permitindo que cada uma de nós atue de acordo com sua realidade pessoal e profissional, sem perder a ligação com o grupo. Tudo é cada uma e tudo é Catavento. Como assim?

Na Semana Santa a Paula esteve no “Som do Céu” com um trabalho belíssimo, sobre o qual ela contará numa postagem maior. Carol também esteve no mesmo evento, lançando seu novo CD, intitulado “Lá vem Ela”, sobre o qual vocês também terão mais informações aqui no blog em breve.

Em junho eu vou ministrar um seminário sobre dança na Igreja Presbiteriana Renovada de Contagem e, em julho, é a vez da Fabrícia, porém ministrando numa igreja de Belo Horizonte. Aguardem notícias!

Bem, por enquanto é isso. Esperamos que você possa ter acompanhado agora um pouquinho de como foi o nosso 1º semestre de 2011, podendo perceber um pouco do turbilhão de emoções, novidades e desafios que nos cercaram. Feliz metade de 2011! E que venha a outra!!!

por Vitória Meireles

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Alguns recortes a mais

Depois de um período merecido de férias, o Catavento volta à cena com mais recortes. Foi um período meio longo... é verdade!

Durante esse tempo sem trabalharmos juntas, o Catavento viveu situações adversas nas quais cada uma de nós precisou recortar, enquadrar, ver, deixar de ver, observar, contemplar, e renovar as forças, pra mergulhar novamente no processo criativo e poder voltar à cena.

Foi um bom período! Alguns recortes de antes produziram alguns inteiros pra agora, ou se recortaram mais pra que ficassem mais específicos, individuais, ou simplesmente mais claros, mais perceptíveis.

Agora, “corpo à obra”, corpo massa, na massa, estamos trabalhando, fazendo laboratórios criativos, buscando idéias e revelações nos recortes que virão por aí.

E pra você que nos acompanha, uma novidade fresquinha está no ar: Catavento agora é um sexteto... isso mesmo! Quem é o novo ou nova integrante?! Isso, nós vamos descobrindo e anunciando aos poucos com maiores detalhes. É que a Carol vai ser mamãe, e aí, pelos próximos meses, teremos um integrante a mais colaborando em nosso processo criativo.

Não é um recorte lindo e interessante?!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mais um curso

Opa!!!! Nossa amiga Vanessa acaba de nos lembrar de mais um curso: é o da ULBRA, que é Licenciatura em Dança, em Canoas/RS desde 2008 e tecnólogo desde 2004.

Aproveitamos para agradecer à Vanessa e a todos que têm dado suas contribuições para o nosso blog e nosso trabalho!!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Dança na Universidade

A Carol tem andado super envolvida (e atarefada...rs...) por conta do mais novo curso da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais): DANÇA!

É, isso aí, pessoal! Licenciatura em Dança na UFMG! Hoje são muitos os cursos de graduação e pós em todo o Brasil. E só de pensar que, até pouco tempo atrás, eram apenas 3 ou 4 curso no país... De fato, a dança tem crescido e a possibilidade de se aperfeiçoar na área, dentro do universo acadêmico, também. Pensando nisso, a gente resolver postar aqui uma lista dessas faculdades onde há graduação em dança. Aproveite para conhecer e divulgar!

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas - CAMPINAS (SP)
http://www.iar.unicamp.br/corporais/dan_curso.php

UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PORTO ALEGRE (RS)
http://www.prograd.ufrgs.br/guiaprofissoes/curso_d.htm

UERGS - Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - MONTENEGRO (RS)
http://www.uergs.edu.br/index.php?action=cursosLocaisDesc.php&cod=7

UFPel/IAD - Fundação Universidade Federal de Pelotas - PELOTAS (RS)
http://www.ufpel.edu.br/academica.php

FAP - Faculdade de Artes do Paraná - CURITIBA (PR)
http://www.fap.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=12"

UFPA - Universidade Federal do Pará - BELEM (PA)
http://www3.ufpa.br/ica

UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - NATAL (RN)
http://www.prograd.ufrn.br/conteudo/cursos/curso.php?id=56

UFAL - Universidade Federal de Alagoas - MACEIO (AL)
http://www.ufal.edu.br

UFS - Universidade Federal de Sergipe - LARANJEIRAS (SE)
http://www.ufs.br/

UFBA - Universidade Federal da Bahia - SALVADOR (BA)
http://www.danca.ufba.br

UFV - Fundação Universidade Federal de Viçosa - VICOSA (MG)
http://www.dan.ufv.br

UEA - Universidade do Estado do Amazonas - MANAUS (AM)
http://www1.uea.edu.br/categoria.php?categoria=GRA

UFPE - Universidade Federal de Pernambuco - RECIFE (PE)
http://www.proacad.ufpe.br/cursos/danca.html

UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - RIO DE JANEIRO (RJ)
http://www.eefd.ufrj.br/bacharelado-em-danca
- titulação do corpo docente do Departamento de Artes Corporais da EEFD - UFRJ
http://www.ceme.eefd.ufrj.br/dancedu/ocurso.htm

PUC São Paulo - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - SÃO PAULO (SP)
- Comunicação das Artes do Corpo
http://www.pucsp.br/comfil/curso.php?curid=5

UniverCidade - Centro Universitário da Cidade - RIO DE JANEIRO (RJ)
http://www.univercidade.edu/uc/cursos/graduacao/danca/index_danca.asp

FAV - Faculdade Angel Vianna - RIO DE JANEIRO (RJ)
http://www.escolaangelvianna.com.br/faculdade.htm

UNESA - Universidade Estácio de Sá - (RJ)
http://www.estacio.br/_cursos/politecnico/danca_salao_coreografia/ficha.asp

Universidade de Cruz Alta - CRUZ ALTA (RS)
http://www.unicruz.edu.br/site/cursos/danca/

Universidade Anhembi Morumbi - SAO PAULO (SP)
http://anhembi.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2351&sid=11

Faculdade Tijucussu - SAO CAETANO DO SUL (SP)
http://www.factijucussu.edu.br/index.asp?Lnk=artesc

Universidade Luterana do Brasil - CANOAS (RS)
http://www.ulbra.br/danca/?q=capa

Faculdade Padrão - GOIANIA(GO)
http://faculdadepadrao.com.br/cursos.php

Faculdade Paulista de Artes - SAO PAULO (SP)
http://www.fpa.art.br/licenciatura_danca.php

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pra ver...






"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
Há só uma janela fechada,
e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia
ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê
quando se abre a janela."
(Fernando Pessoa)

Tem a ver com nosso último trabalho - "recortes sobre um ponto de vista"...

Tem a ver com cada uma de nós, nossas reflexões, medos e descobertas bonitas...

Tudo tem a ver com tudo...

sábado, 15 de maio de 2010

Ainda Recortes...





"recortes sobre um ponto de vista
olhar e ver
olhar e não ver absolutamente nada
olhar e sonhar
ver e tatear
tatear no tempo, no espaco, nas memórias
recortar impressões, recortar marcas, pontos
misturar tudo
enxergar textos no escuro, no corpo e na pele
não enxergar nada
buscar algo pra ver, olhar, tatear, relembrar
pensar sobre o tempo, presente, passado e futuro
tudo junto ao mesmo tempo e em partes
em pedacinhos, vistos um de cada vez
como se quisesse ver e olhar
pra enxergar, pra não ver, pra admirar por ver, pra sonhar por não ver
um recorte pra mim, outro pra você
pra nos fazer ver o tempo, a memória, os sonhos
e talvez a realidade."
Vitória Meireles

Agenda"Recortes de um Ponto de Vista":
Dia 20/mai - Congresso de Pastores - 20:30 (evento fechado) - BH/MG
Dia 19/jun - Mostra de Artes - 19h - BH/MG

domingo, 7 de março de 2010

Danças e Andanças da Vi





Quem conhece o Catavento, sabe o quanto a gente valoriza o contínuo aprendizado e busca por crescimento. E a Vitória é uma das "rainhas" nesse quesito! Está sempre ligada, por dentro de tudo que tá rolando, antenada nas novidades e oportunidades de cursos, aulas, etc.

Em janeiro, a Vi começou mais uma das suas empreitadas, dessa vez na Faculdade Angel Vianna: a pós-graduação em Análise do Movimento a partir do sistema Laban/Bartenieff. O objetivo é capacitar os profissionais a uma reflexão e análise do movimento utilizando esse sistema de forma coreológica e sociocoreológica. A coordenação do curso está por conta da Regina Miranda que é a diretora do Instituto Laban de Nova York e precursora do Sistema Laban/Bartenieff no Brasil.

Se você quer saber mais sobre esse tal sistema Laban/Bartenieff, leia esse texto: http://www.centrolaban-rj.org/id70.html

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Catavento agora é Coletivo!



Estivemos “fora do ar” nesse início de ano, mas tudo foi proposital (ou conseqüência). Bom, explicaremos...

Pra quem não sabe, o Catavento (ainda sem a Vitória) se juntou em setembro de 2008, num café de um shopping em BH. É, não foi em uma sala de dança, num espetáculo, não... Isso revela o nosso desejo primário: apenas nos juntarmos. É que ninguém conhecia ninguém. Talvez eu, Carol, conhecesse um pouco mais a Camila, a Fabricia e a Paula, mas elas, entre si, nunca tinham se visto. A idéia de nos encontrarmos era o simples desejo de estarmos juntas, falar de dança, contar histórias, compartilhar experiências e, assim, crescermos juntas, mas cada uma dando foco na “dança” que mais a interessasse. Lembro-me como se fosse hoje: a Fa dizendo como amava história da dança e que queria voltar às aulas de clássico; a Camila contando das suas descobertas na dança e da vontade imensa de dançar o dia inteiro (se pudesse); a Paula, depois de dançar profissionalmente por tantos anos, querendo descobrir essa tal “dança da igreja”, já que tinha se convertido há poucos anos; e eu, completamente enganada, achando que não iria lidar mais com a dança na minha vida, me abrindo pro que viesse.

Quem dança sabe que pra se conhecer, nada melhor que dançar junto. Começamos então a buscar algumas aulas, a fazer alguns laboratórios corporais juntas, a conversar e ler muito. Pensamos que precisaríamos nos organizar minimamente, até pra dar mais “gás” pra nós. Nos demos o nome de “Catavento Dança & Pesquisa”, mesmo sem saber onde tudo isso nos levaria. Logo vieram alguns convites e nos vimos com a necessidade de coreografar algo. Foi daí que nasceu o “Ventaneio”. Com ele, rodamos muitos lugares queridos. Por meio dele, conhecemos muitas pessoas importantes e especiais pra nós. No meio do ano, a Vitória chegou, mas a correria era tanta, que seguimos com nossas apresentações, oficinas, bate-papos, sem termos muito tempo pra parar e avaliar nossos objetivos.

Foi um ano maravilhoso! Devemos a ele muito do que temos, somos e do que agora compartilhamos aqui... Uma novidade que, talvez, não mude muito pra vocês, mas muda tudo pra nós: de grupo passamos a ser um COLETIVO. Perguntas??? Mais uma vez, explicaremos... vamos lá...

O que é um coletivo de dança? O que isso muda pro catavento? O que isso implica a cada uma de nós? Bom, são muitas as tentativas de definições e o conceito ainda é muito novo no meio dança, mas tem sido muito bem acolhido e recebido pelos artistas. De forma bem simples, um coletivo é um ajuntamento de pessoas que, na medida em que desenvolvem seus próprios trabalhos, também desenvolvem trabalhos de todos. Tudo que um produz é de todos. O que não impede que dois, três ou todos se reúnam para desenvolver um trabalho juntos. Trazendo pra prática, pro catavento: cada uma de nós pode produzir o que quiser (textos, oficinas, coreografias, etc.) e esses trabalhos podem ser feitos individualmente, em duplas, trios, quartetos ou todas juntas.

Tudo muda pra nós uma vez que cada uma poderá colocar o foco naquilo que tiver mais interesse em desenvolver. Ao mesmo tempo, todo o grupo é enriquecido, já que pode-se ter diferentes ações dentro de um mesmo grupo. Cremos que com essa mudança, o catavento tem possibilidades de crescer e se aprimorar em outras áreas.

Enfim, a gente também vai descobrir aos poucos todos os significados dessa mudança. Por enquanto, o que sabemos é que nossos encontros semanais continuam, estamos correndo contra o tempo pra “fazermos bonito” no Som do Céu 2010 e nossos corações e cabeças pulsam a mil, cheios de expectativas das surpresas que nos aguardam.

Se você quiser saber mais sobre conceitos em COLETIVO, indicamos um texto bem bacana: http://idanca.net/2007/03/01/coletivos-conceitos-em-jogo/

Contamos com todos vocês nessa nova etapa!!!

Catavento.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Para Pina


"Não me interesso em como as pessoas se movem,
mas o que as move."
(Pina Bausch)

No último fim de semana, o Brasil recebeu a visita da Pina Bausch Tanztheater Wuppertal. Outras visitas da companhia já aconteceram, mas essa foi especial, uma vez que Pina faleceu há pouco tempo. Quem teve a oportunidade de assistir aos espetáculos diz ter vivido um momento único. Eu, Carol, não pude estar lá, mas devorei o livreto/programa/homenagem/poesia que traz textos falando sobre Pina e sua obra. Os autores são artistas e que tiveram a oportunidade de conviver com Pina e apreender um pouco de sua beleza e arte. Não resisti... aí vão alguns trechos:


"Pina via com amor nossos clichês e aprofundava-os, salvava-os, raspando-lhes a casca da repetição óbvia. Pina humanizava nossos defeitos, nosso ridículos e nos oferecia a própria vida reciclada com carinho, virando-nos diantes de nó s mesmos." (Arnaldo Jabor)


"Como o vento, Pina mudou a paisagem do mundo com a força da usa dança. Do porto, ela inventava o mar. Com suas perguntas, arrancava a memória do esquecimento e seus bailarino a arremessavam para nós, que reconhecíamos como nossa aquela rede de mutações, sem costuras entre nós e eles. Em breve, todos eles vão precisar inventar um modo de transformar em uma trama esse vazio, que agora vibra e risca todos aqueles a quem o encontro com a arte de Pina fez descobrir que era preciso se desabrigar, para se por disponível para o tanto de espantos que seriam acumulados. Nem a morte desata certos laços construídos em vida." (Helena Katz)


"[...] vi tudo o que pude de Pina: quase todo o repertório. E sempre a renovação e o aprofundamento da esplendorosa impressão inicial. E sempre a surpresa. Propus-me a saudar Pina Bausch quando aceitei escrever aqui sobre sua arte. E, no fim, me entreguei a digressões que são retalhos de autobiografia." (Caetano Veloso)

terça-feira, 9 de junho de 2009

De Pina


"[...] Se eu pudesse dizer tudo isso, de forma direta, dado que tem tantas camadas de sentidos, então não precisaria fazer coreografias. Para mim é mais importante que, quando uma pessoa vê um espetáculo, se relacione com aquilo que pensa, com o que sente. Não quero ter de dizer para onde é que a pessoa deve olhar, nem o que deve procurar. Para mim é importante que cada um seja confrontado com a peça e veja o que acontece [...]"


Pina Bausch em entrevista ao Idança.net

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre Processo Criativo

Do Processo Criativo à Criatividade como Processo

“No princípio criou o Senhor Deus os Céus e a Terra” (Gen. 1:1).

Toda vez que pensamos em criatividade, nos remetemos imediatamente à idéia de inspiração, como uma força, um “vento” mágico que nos ofertaria, graciosamente, o conjunto de habilidades necessário à produção de coisas incontestavelmente novas.

Achamos, no final das contas, que a inspiração é um sopro (ou um fôlego de vida). Queremos criar, “do jeito que Deus criou”. A variante Laica, nem por isso menos mística dessa impressão é, talvez, a noção de gênio. Formulada por Kant e levada às últimas conseqüências pelo romantismo.

Do espelhamento ordinário das duas perspectivas, o que nos resta é de um lado um Deus “todo-razão”, lançando luz sobre as trevas do universo infinito e ordenando-o (“E disse Deus haja Luz [...] e disse Deus haja separação entre água e terra seca / entre dia e noite / entre firmamento e terra,...") e do outro, o homem iluminado, movido por algo de metafísico ou por uma disposição de animus inexplicavelmente criativa.

Fui convidado a dar uma palestra sobre processo criativo na faculdade, revirei minhas coisas, referências, bibliografias e, de repente, peguei-me lendo o livro de Gênesis – não era para falar sobre processo criativo? Então vamos ler o livro da criação – curiosamente, descobri que, ao contrário do que a tradição religiosa nos fez crer, o relato da criação do mundo, assim me pareceu ao menos, não nos fala da criatividade como pura iluminação, mas como processo. Diria até que podemos extrair do referido relato uma metodologia de trabalho. É exatamente isso que vamos tentar adiante.

Faço aqui uma ressalva, antes que os especialistas me acusem de heresia. Não pretendo abordar o texto de um ponto de vista hermenêutico rigoroso. Não pretendo discuti-lo de um ponto de vista teológico e especializado. Nem pretendo também criar nenhum novo movimento do tipo “criatividade profética”. Tomarei a liberdade de considerá-lo [“apenas”] sob o ponto de vista literário e, sendo assim, reservo-me ao direito de inventar sentidos, experimentar idéias, partilhar impressões, ao contrário de buscar saber o que “efetivamente” o texto quer dizer sobre esse assunto ou sobre qualquer outra coisa. Dito isso, vamos deixar de desculpas e partir para o que interessa.

“No principio criou Deus os Céus e a Terra”. Acompanhando a narrativa bíblica, a primeira coisa que percebemos é que Deus poderia ter criado o mundo num estalo, que o mundo poderia ter sido criado inteiro, todo pronto de uma vez – alguém duvida disso? As águas poderiam ter surgido junto dos peixes, que surgiriam no mesmo “instante” em que se deu a separação entre dia e noite, que se daria no mesmo instante em que surgira o próprio homem, e assim por diante.
Entretanto, a criação divina se divide em sete etapas. Cada coisa foi criada no seu devido “tempo”. Primeiro a luz, depois a separação entre luz e trevas, então nomeia o dia e a noite (criando, por assim dizer, o tempo), a seguir, separa o firmamento da Terra, terra seca e oceanos e assim por diante.

Uma das coisas que nos paralisa talvez, diante do desafio criativo, é a expectativa de que a criação deva se dar por inteira. Como se Deus tivesse dito – haja tudo. O relato da criação divina nos mostra, porém, que há um tempo para cada etapa que precisa ser cumprida num processo criativo. Mostra que criar depende de regras, de ordem e de método. Estudo, pesquisa, experimentação, tentativa e erro, substituição de idéias, rascunhos, papel amassado. Todas essas coisas precisam ser incorporadas e adequadas à sua metodologia de trabalho.

Outra observação importante é que a bíblia nos diz que entre um ato e outro da criação “houve tarde e manhã”. Paciência e disciplina são duas virtudes importantes sem as quais não há nenhum processo criativo consistente. O tempo é um agente criativo importante. Precisamos aprender a deixar o trabalho “entardecer”. Há sempre um momento de “ocaso” do processo. Momento de voltar para casa, repensar a cena, as cores, as notas ou arranjos.

Momento de amadurecer a idéia de uma nova cena, de deixar o ator pensar em suas falas, se acostumar com as marcas, etc. Momento de desligar do trabalho e pensar em outras coisas, assistir a coisas que nada tenham com ele, ouvir outras músicas. Às vezes nos fechamos demais num projeto e não percebemos que as “soluções” para ele podem vir de fontes inimagináveis. Temos, entretanto, que nos abrir para essas fontes. E passado esse entardecer, nos forçar também a voltar, afinal, já é dia e precisamos continuar com o trabalho. Como saber, porém, o momento do entardecer e o momento de retornar?

“Viu Deus que isso era bom”. A bíblia nos diz que Deus olhou para sua criação. Autocrítica é fundamental nesse momento. A crítica externa também, pessoas da área, de ministérios vizinhos – ficamos sempre tão isolados, o momento de ensaio parece uma ótima oportunidade de troca com “o pessoal do ministério de teatro da igreja ao lado” – não parece? Ouvir e saber julgar, construir parâmetros também para julgamento, assistir a outros ministérios, ver o que se está produzindo fora da igreja, ler, estudar, capacitar o olhar. Aprender a ver, não como o “irmão da igreja”, tão condescendente, mas de forma especializada, ver com qualidade e não apenas com boa vontade. Mas só isso, pois,“viu Deus que era bom”.

Vou insistir nessa fala para dizer que Deus não somente viu, mas também viu que era bom. Tão importante quanto ter um olhar franco e sem melindres é saber ver o que há de positivo em cada ponto do processo. Isso mesmo. Creio que a chave seja aprender a encarar o processo como processo (algo pode ser mais simples que isso?). Uma cena trabalhada pela primeira vez terá uma série de problemas, se eu for julgá-la como um produto acabado, o juízo será terrível, mas, como processo, posso avaliar o que conseguimos avançar, compreender os “defeitos” da cena como parte do material que precisa ser elaborado e reconhecer as conquistas possíveis para aquela etapa do trabalho.

De outra forma, ficamos travados, não conseguimos avançar porque os contornos do desenho estão mal feitos, porque não encontramos as cores certas, ou porque a inflexão correta não aparece. Estar sempre disposto a tentar, tentar é a graça, precisamos aprender. São os esboços de cena que nos preparam para as cenas mais perfeitas. Os desvios fazem parte do processo e isso é sempre muito bom.

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gen. 1:26)
“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida; e o homem passou a ser alma vivente.” (Gen. 2:7).
Ainda:
“Havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.” (Gen. 2:1)

Bom, quero terminar dizendo que nenhum processo criativo se faz sem trabalho ou sem descanso. Por um lado, Deus formou o homem, soprou em suas narinas. Criar o homem, numa expressão que causaria arrepio aos teólogos, deu trabalho a Deus. A criação não foi um ato gratuito e sem importância. Houve um investimento de Deus em nós e no mundo, por isso Ele pôde olhar para tudo e sentir, ao final, o prazer de uma realização. Mas não só isso, descansou Deus também no sétimo dia.

Há um momento do processo criativo no qual precisamos ter a coragem de descansar da criação. Dar o trabalho por encerrado. Trata-se de um ato de coragem, assumir os riscos de dizer – está acabado, foi isso o que eu produzi – e não poder de nada mais se desculpar. Algumas vezes é melhor ser mediano com pouco trabalho e poder sempre dizer – ensaiamos tão pouco – do que correr o risco de não sermos “geniais” ao final de todo nosso esforço. Talvez parte do que nos impeça de investir tudo o quanto podemos em um trabalho não seja realmente a preguiça, mas o medo de percebermos que, mesmo depois de tudo, não conseguimos fazer o suficiente.

Se me permitem terminar com um pequeno conselho, sempre que se der tudo, se terá dado o suficiente. Talvez não para aquela obra em particular, mas para o trabalho em geral. Nosso próprio ministério também é um processo, não se resume a um ou a outro episódio. O compromisso não é o de se fazer sempre coisas boas e memoráveis, mas o de crescer sempre com aquilo que se faz. Não fazer por acaso, não trabalhar de qualquer jeito, mas com método, ser sincero na autocrítica e corajoso ao encarar o processo. Compreendendo, por fim, que "o todo é maior que a soma das partes” e que tudo isso é sempre muito bom.

Que Deus os abençoe.

texto de Guido Conrado, extraído do Portal Cristianismo Criativo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A diferença entre arte e cultura


Artigo de Helena Katz para o Jornal Urbano (abril/2009).

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Igreja como Promotora de Arte

Carol Gama participando do debate no ArteCéu (Som do Céu 2009)
Gladir Cabral, Carol Gama e Denise Bahiense - debate ArteCéu (Som do Céu 2009)

Uma das pessoas muito bacanas com as quais o Catavento estreitou laços é a Carol Gama. Artista plástica formada pela Unicamp e Produtora de Arte do Programa Plataforma, a Carol expôs seu belíssimo trabalho "Estandartes do Vento" no ArteCéu - espaço no qual o Catavento também se apresentou durante o Som do Céu 2009. A gente se deu muito certo e faz questão de trazer pra vocês um pouco da reflexão proposta pela Carol durante um dos debates que rolou por lá.

Aproveitamos para deixar aqui registrado nossa admiração pelo trabalho da Carol! Um beijo do catavento pra você, querida!

A Igreja como Promotora de Arte

Carolina Gama

"Recentemente fui convidada a participar de um debate cujo tema era “A igreja como promotora de arte”. Apesar da minha timidez e da tendência a fugir de confrontos, concordei em ir porque como artista e como cristã sei que o meu silêncio não é uma opção. Não acho que eu tenha muito a oferecer, confesso que tenho mais questionamentos do que respostas. Por isso optei por contar um pouco da minha experiência e de algumas reflexões que fiz ao longo do caminho na esperança de, com isso, dar uma pequena contribuição.

Tempos atrás, numa Bienal do Livro, assisti a um bate-papo entre a poetisa Adélia Prado e o Frei Beto. Em certo ponto da conversa o Frei Beto disse - “A Adélia olha para uma pedra e vê um diamante”. A Adélia, por sua vez, respondeu que ela não fazia nada, apenas servia de instrumento nas mãos de Deus. Nas artes, costuma-se ligar o termo “beleza” a coisas alegres, simétricas, coloridas e relaxantes. Eu prefiro o ponto de vista do Frei Beto. Penso que o artista que reproduz a beleza em seu trabalho, não é aquele capaz de recriar uma imagem com perfeição, que usa como tema apenas elementos da perfeita criação de Deus ou temas bíblicos. O artista que retrata a beleza em sua obra é aquele capaz de mostrar o mundo aos olhos de Deus. É aquele que propõe uma maneira completamente nova de olhar para as coisas, encontrando vida nos mais obscuros cantos do coração do homem, dando lugar de destaque ao que é considerado inútil, marginal, simples. É o que “olha para uma pedra e vê um diamante” e é capaz de comunicar isso ao outro.

Um exemplo muito conhecido de artista cristão foi Vincent Van Gogh. Por mais que tentem classificá-lo como “Impressionista” ou “Expressionista”, ele foi único, produzindo uma obra à frente do seu tempo, e oferecendo um jeito singular de olhar para o mundo. Quando foi para as minas de carvão da Bélgica, como um jovem missionário, fazia desenhos para vender e dar o dinheiro aos pobres. Mas o que ele desenhava eram os carvoeiros miseráveis que viviam a sua volta, em seus sofrimentos e beleza.

Há dois anos fui assistir a um sarau em uma igreja na cidade de São Paulo. O intuito dos organizadores não era apenas promover apresentações musicais, mas incluir no programa outras formas de arte. Para a exposição de artes plásticas compraram alguns metros de tecido preto (que deveriam cobrir as janelas) e neles fizeram uma “arte moderna”. Lambuzaram as mãos de tinta e imprimiram no tecido, espirraram tinta no tecido, etc. Tudo muito colorido no fundo preto. Esses tecidos foram pendurados. E em cima de cada um colocaram uma etiqueta com o nome da “obra” e do “artista”. Primeiramente, se considerarmos que aquelas cortinas eram obras, seria uma falta de respeito colar a legenda em cima delas, o mais adequado seria ao lado, na parede. Em segundo lugar, a técnica de arte escolhida demonstra o preconceito que existe de muitos com relação ao que é a arte moderna e contemporânea.

Quem não tem muito conhecimento das artes plásticas tem a tendência de achar que hoje qualquer coisa que se faça é arte. Não se leva em consideração o percurso histórico que levou artistas a fazerem uma arte aparentemente banal e fácil, e nem se leva em consideração o processo de trabalho do artista que não produz seu trabalho em cinco minutos, ou se o faz é devido a uma bagagem técnica e teórica acumulada. No caso dessa igreja, o intuito de promover a arte se tornou deboche e desrespeito. Poderia-se dizer que ao menos houve uma iniciativa desses irmãos. Mas eu tenho pensado muito sobre os recursos que temos e o quanto desfrutamos deles. E acredito que a desculpa de que “ao menos houve uma iniciativa” é inaceitável no contexto onde aquelas pessoas estavam inseridas.

São Paulo concentra uma variedade ampla de artistas plásticos, de museus e de galerias de arte. Os dois principais jornais da cidade divulgam diariamente exposições tanto de obras de arte históricas quanto de artistas contemporâneos. Quem não gosta de ir a museus, ou não tem tempo, encontra obras de artistas consagrados, como Tomie Ohtake, espalhadas pela cidade, em canteiros, praças ou calçadas. Nem o crente, que tem a desculpa de que só “consome” arte de artistas cristãos, tem desculpa. Existem muitos artistas plásticos profissionais que são cristãos, que atuam no meio secular. Alguns inclusive tem suas obras em museus e coleções importantes do país. Além disso, existe a internet, onde inúmeros artistas, museus e galerias do mundo todo exibem obras e fornecem informações sobre artistas e sobre o que são as artes plásticas e visuais. No mínimo existe o Wikipedia.

A igreja não pode promover a arte sem antes conhecê-la, compreender suas normas, sua essência, seus porquês. Como é possível promover algo que não se conhece? Se considerarmos que as artes são linguagem, como podemos dialogar sem escutar? O que a igreja tem feito em geral, é criar uma arte dentro de uma redoma, incapaz de dialogar com o mundo ao seu redor. E isto não é arte. No mínimo é uma arte aleijada, pobre e que não acrescenta nada.

Em um primeiro momento acredito que a igreja deve ser acima de tudo incentivadora da arte, estimulando seus membros a conhecer a arte, a frequentar exposições, apresentações, cinemas ou qualquer outro lugar onde a arte seja promovida de maneira séria e profissional. Deve-se desvincular a arte da instituição religiosa. Num segundo momento a igreja deve se prontificar a acolher essa realidade, suas contribuições, tensões, impressões, desfavores, contradições e acolher inclusive aqueles que escolherem enveredar por esse caminho."



segunda-feira, 20 de abril de 2009

Da estréia pra mim (Carol Gualberto)



Queria palavras bonitas...

Mas o ventaneio veio, "bagunçou" tudo, mexeu no (in)coberto e trouxe novos movimentos, nova dança, novas palavras inventadas...

Restam, portanto, sorrisos, sonhos e saberes de catavento...

A estréia de uma nova estrada, de um novo giro, de uma nova moça...


Carol Gualberto - sobre estréia de Ventaneio no Som do Céu 2009.













quinta-feira, 16 de abril de 2009

Da estréia pra mim (Fabrícia Melo)

Enfim o primeiro filho nasceu! Nossa estréia foi recheada de sucesso e nos deu boas perspectivas sobre o futuro do grupo com outros trabalhos. Foi maravilhoso ver a receptividade e a sensibilidade do público.

Quatro apresentações, quatro corações submersos no palco...

Fabrícia Melo - sobre estréia do Ventaneio no Som do Céu 2009.














quarta-feira, 15 de abril de 2009

Da estréia pra mim (Paula Davis)

Ventaneio.
Ouvir o Vento sussurrar.
Convite pra dançar.
Redemoinho de idéias no ar.
O corpo voa alto e (re)pousa no chão.
E de novo flutua no espaço artecéu do meu coração.


Paula Davis - sobre estréia do Ventaneio no Som do Céu 2009













terça-feira, 14 de abril de 2009

Da estréia pra mim (Camila Almeida)


"O vento que sopra refresca a alma, trazendo um cheiro de terra molhada. Ilumina o corpo que inteiro saltita, piruetas, remexos, estrelas amigas..." (trecho de "Catavento", de Carlinhos Veiga)

O corpo girou feito um Catavento, renovou-se a fé e o sorriso.

Esperança de um novo movimento.

Camila Almeida - sobre estréia do Ventaneio no Som do Céu 2009.














segunda-feira, 13 de abril de 2009

Documento importante

Queridos companheiros de caminhada,
Acabamos de chegar do Som do Céu e temos muita coisa boa pra contar e compartilhar...
Uma das mais importantes é a "Carta do Som do Céu" - um documento produzido durante o evento, fruto de debates que aconteceram nos dias 07 e 08 de abril. Músicos importantes participaram do processo como João Alexandre, Carlinhos Veiga, Jorge Camargo, Nelson Bomilcar, entre muitos outros. A idéia é que essa carta seja divulgada e chegue até a liderança das igrejas.
Leia com carinho e atenção porque o documento não trata só da música, mas da arte de uma forma geral. Vamos lá:

Carta do Som do Céu

Introdução

Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos das variadas regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 a 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu, para discutir dois temas principais: “A música e os músicos na igreja” e “A igreja como promotora de cultura”. Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram em nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo em nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido consistente e coerente com a Palavra de Deus – nosso referencial maior – nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a “Carta do Som do Céu”, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, nesse princípio de século XXI:

1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;
2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda humanidade e não está restrita aos cristãos;
3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;
4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;
5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objetivando a sua formação espiritual e ética;
6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido em uma igreja local, servindo-a e amando-a como Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada toda e qualquer tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;
7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;
8. Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades;
9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;
10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem seu louvor a Deus;
11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua atividade profissional;
12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória;
13. A Igreja não se pode esquivar de sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentoriar a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;
14. Incentivamos as igrejas a abrir suas dependências para a realização de eventos culturais como exposições, mostras, cursos, saraus e outras atividades visando à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;
15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal;
16. Entendemos que nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar em seu conteúdo os valores do Reino;
17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no Reino de Deus, capacitando os artistas para a realização de seu trabalho;
18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;
19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;
20. Muito embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores da mídia, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação de sua arte, proclamando, assim, o Reino de Deus;
21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo de seus ministérios como algo dado por Deus;
22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção de sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projetos culturais etc.
23. Encorajamos as igrejas a investir na educação e na formação de artistas;
24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;
25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.

São Sebastião das Águas Claras, 09 de abril de 2009.

Assinam:

Debatedores:
Aristeu de Oliveira Pires Junior – Canela (RS)
Carlinhos Veiga – Brasília (DF)
Denise Bahiense – Rio de Janeiro (RJ)
Erlon de Oliveira – Belo Horizonte (MG)
Gladir Cabral – Florianópolis (SC)
João Alexandre Silveira – Campinas (SP)
Jorge Camargo – São Paulo (SP)
Jorge Redher – São Paulo (SP)
Marcos André Fernandes – Garanhuns (PE)
Marlene F. Vasques – Goiânia (GO)
Nelson Marialva Bomilcar – São Paulo (SP)
Paulo César da Silva – São José dos Campos (SP)
Romero Fonseca – Goiânia (GO)
Rubão Rodrigues Lima – Brasília (DF)
Sérgio Paulo de Andrade Pereira – Ribeirão Preto (SP)
Wesley Vasques – Goiânia (GO)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Valeu, pessoal!!!


Amigos e parceiros,

no último sábado rolou o ensaio aberto do nosso trabalho "Ventaneio". Um momento especialíssimo que não poderia deixar de ser registrado aqui.

Um público de umas 30 pessoas, todas queridas e amigas e uma tarde chuvosa em BH. Esse foi o cenário que abraçou o nosso ensaio. Muitas idéias novas, trocas, impressões, sugestões e alegrias!

Agradecemos de coração a todos que se aventuraram a participar desse processo com a gente.

Juninho, obrigada pela operação de som! E além do maridão da Carol que nos ajudou com o som, agradecemos também a todos os nossos familiares que tanto nos deram força!

Agradecemos ainda à III Igreja por nos acolher.

Um obrigada muitíssimo especial aos amigos fiéis e cheios de fé na gente!

No final do ensaio, suquinhos, cataventos, papos e a certeza de que estamos no caminho certo!

Que venha a estréia! Bjo pra todos,

Catavento.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Trechos de Dudude



“A dança contemporânea caminha pelo viés do corpo, do movimento orgânico não convencionado, dando à vida cotidiana, ao seu gesto mínimo, uma dimensão artística provinda da sensibilização do olhar e de um processo de conhecimento e conscientização do próprio corpo.”

“Para dançar, é preciso estudar o mundo e estar disposto a perder o corpo, para reencontrá-lo liberto em sua potência de expressão. É preciso andar pelas linhas de fuga, reconhecendo que as coisas são cíclicas e estão em movimento. A arte é mutável, hoje eu tenho esse corpo, amanhã será outro.”

"A arte representa uma mudança de espaço - os sentidos dilatam, vem o invisível. A experiência do tempo se modifica. Dessa forma, a função do artista é mudar o estado das coisas, fazer uma pedra virar um coração.”

“O corpo é como a areia. A mente é como o vento. Para reconhecer o percurso da mente, é preciso reconstituir seu desenho movente na areia dos corpos.”



*Dudude Herrmann trabalhou em inúmeros espetáculos como coreógrafa e bailarina. Coreografou e deu aulas na Companhia de Dança de Minas Gerais e no 1° Ato Grupo de Dança. Em 1992, criou a Companhia Dudude Herrmann - hoje chamada Benvinda Cia de Dança. De lá pra cá, foram diversos espetáculos e uma trajetória marcada por prêmios. Seus últimos trabalhos são “O Armário” (1999), “Barrocando” (2000) e “4 Solos para 3 Intérpretes” (2002). Por dez anos coordenou a área de dança do Festival de Inverno da UFMG e já completa vinte e cinco anos de trabalhos como professora. Hoje, promove em seu estúdio incontáveis eventos, cursos e encontros e continua a refinar a pesquisa da consciência corporal.
http://www.dududeherrmann.art.br/

[Retirado de texto publicado em periódico da Fundação de Educação Artística (nº2) – Perfil, 08 de novembro de 2002].