segunda-feira, 21 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Andanças e danças - Contact Improvisation


A nossa queridíssima Vitória (essa aí de azul) teve a oportunidade de participar da oficina “Contato Improvisação – domínio do corpo”. Essa oficina, que aconteceu nos dias 05 a 07 de setembro, faz parte do “Sul em contato”, em Porto Alegre/RS, que é um projeto para aperfeiçoamento de bailarinos, atores e interessados na dança chamada “Contato-Improvisação”. Entre março e dezembro de 2009, 12 professores de larga experiência nesta dança do Brasil, Argentina, Uruguai e Alemanha, vão à Porto Alegre para ministrar oficina de 3 dias. Os alunos aprendem múltiplos aspectos desta forma de movimento: os princípios, fundamentos, aprofundamentos, relações com outras técnicas como educação somática, teatro, música e artes marciais até a apresentação. Há sempre aulas semanais de revisão das oficinas, mostras de vídeos, JAMs e performances dos alunos e/ou professores.
A oficina estava sob o comando do argentino Pablo Medina que é ator, bailarino, pedagogo e terapeuta corporal. Além do seu comprometimento em difundir a linguagem de Contact Improvisation desde o início dos anos 90, ele também investiga diferentes técnicas de terapias manuais e atualmente estuda Osteopatia no Instituto Argentino de Osteopatia da Expressão Corporal no Centro Cultural Ricardo Rojas.
Mas o que significa “Contato-Improvisação” (Contact Improvisation)? É um estilo de dança que surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 70 e logo foi difundido para diversas partes do mundo. Trata-se de uma dança espontânea por meio de contato físico entre duas ou mais pessoas. O treinamento se dá por exercícios de percepção e consciência corporal, rolamentos, uso do peso, contrapeso, sustentação, quedas, saltos, deslizamentos, etc. A dança pode ser muito sutil ou até acrobática, por isso muitas técnicas de educação somática são utilizadas na aprendizagem, como Bodymind Centering®, Alexander, Feldenkrais e também outras linguagens que se cruzam para enriquecer a dança de contato, como a estrutura de performance, o teatro, a acrobacia, o uso da voz e de bolas. Por se tratar de improvisação, de jogo e diálogo físico, esse estilo de movimento desenvolve um estado físico e mental de alerta que enriquece a presença cênica de bailarinos, atores e outros artistas do movimento, além de ser facilmente aprendido por qualquer pessoa sem experiência profissional nestas áreas.
Enfim, essa foi uma experiência maravilhosa para a Vitória que, claro, “respinga” pro catavento todo. Aproveite para conhecer um pouco mais dessa técnica! Vale a pena!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Nossa caminhada



No sábado, dia 15, o "Ventaneio" passou pelo Teatro da Biblioteca Pública e foi uma experiência maravilhosa! Um público especial, shows de excelentes músicos e uma razão super bacana que unia a todos: o lançamento do "O Livro do Som do Céu" com todos os resultados do debate sobre música que rolou em abril desse ano.
No último sábado, dia 22, parte do catavento esteve no Palácio das Artes, pra assistir à remontagem do "Isso não é Gotham City", do Grupo Primeiro Ato; com direito à coquetel cheio de gente ilustre como Angel Vianna, Dulce Betrão e muitos outros. Uma noite muito gostosa!!!!
Ontem, estivemos na CPC, apresentando o "Ventaneio" e conversando um pouco sobre "O Papel de quem vê: o público e a arte". Outro momento delicioso quando pudemos compartilhar um pouco das nossas experiências, contar do processo de criação, ouvir as pessoas e conhecer gente nova...
Aproveitamos para agradecer ao Sêmer, marido da Vitória, que nos ajudou com a iluminação; à MPC, pelos convites tão especiais; ao Djalma, que tem feito o som pra gente há já algum tempo; aos familiares, sempre tão prontos a aplaudir e apoiar...
Próxima parada agora??? Dia 21 de setembro, no PROEF/UFMG - um projeto de educação para adultos, com direito a "Ventaneio" e bate-papo...
Bjo pra todos!!!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Todos estão convidados!!!
Nossa próxima parada...
Próximo domingo, dia 23
Às 17h
R. Valdir Leite Pena, n. 6, Silveira
(pra quem estiver na Av. Cristiano Machado sentido Centro, é só virar à direita logo após o McDonalds e seguir até o fim da rua...)
Todos são bem-vindos!!!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Não dá pra perder!

A gente não poderia deixar de convidar vocês todos pra esse mega evento que vai rolar em agosto pra celebrar o lançamento do "O Livro do Som do Céu", com todo o conteúdo do debate sobre música cristã que rolou durante o Som do Céu 2009 e contou com a presença de João Alexandre, Jorge Camargo, Aristeu Pires, Nelson Bomilcar, entre muitos outros.Dentre tanta gente bacana, nós estaremos lá apresentando o nosso trabalho "Ventaneio"!
E agora por apenas R$ 25,00 você:
assiste 4 shows musicais
+
+
e ainda pode levar pra casa o booklet (livro + cd) comemorativo da 25º edição do Som do Céu
de R$ 25,00 por apenas R$ 15,00!!!
Isso tudo, fora o sorteio de brindes! É bom demais da conta!
Os ingressos são super limitados e podem ser adquiridos da seguinte forma: você deposita o valor na conta da MPC (Banco Itaú - ag. 0084; c.c. 24901-0) e manda o comprovante do depósito via fax (31-3492-1001) ou email (mpc@mpc.org.br). A venda de ingressos na bilheteria do teatro no dia do show está sujeita à disponibilidade de ingressos. Corra pra não perder!
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Mais uma vitória da Dança
Vamos em frente...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Tem alguém chegando...
Seja bem-vinda, Vitória!
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Pelo Belo

Li o texto abaixo do Gerson Borges e não tive como não concordar plenamente com ele! Eu, Paula, Camila e Fabrícia temos conversado muito sobre essa tal dança contemporânea que, por muitas vezes, na tentativa de ser tudo, acaba sendo qualquer coisa... Parece que falta algo... Enfim, deixo com o Gerson essa reflexão... E claro, com vocês também...
Há qualquer coisa de podre na arte contemporânea
Fico meio desconfiado de suas posturas e intenções. Esse papo esquerda-direita, embate ideológico (ou vaidosa tertúlia intelectualóide) do tipo Veja X Carta Capital já me cansou. Teimo, e isso pode ser o tal pecado do julgamento, em achar que é a falta de assunto que os motiva. Mas a "zica" e a ironia é que polemistas acabam por prestar bons serviços à nossa inteligência e fígado – pelo menos dou boas, muito boas risadas. Nos dão coceira mental. E são lutadores, devo admitir. "Polemistés", no grego, quer dizer guerreiro. Os caras gostam de brigar!
Um dias desses, pondo meu arquivo de recortes de jornais em dia, dei com os olhos num texto meio amarelado de Arnaldo Jabor (Segundo Caderno, O Globo, 11/11/2003), que me salvou a manhã tediosa. Eis um polemista! Nem Cony, nem Maynardi: Jabor. Que "Caros Amigos", "Piauí", que nada: Jabor! O rei da ironia debochada... e edificante! Nessa coluna escrita há seis anos, o cineasta-que-virou-colunista abre o coração(!) e conta de uma visita-retiro espiritual, quase, a Veneza.
"Depois de dois anos sem sair do país" - ele contava - "impregnado de todos os bodes do Brasil e do Mundo, pois minha profissão atual é ser esponja das notícias e dos fatos que elas escondem".
Eram os cinzentos dias pós-11 de Setembro. Jabor se refugia na espantosa beleza da cidade e nas obras da Renascença que atulham aquela antiga República do comércio entre o Oriente e o Ocidente... Tintoretto, Veronese, Ticiano. Fiquei dias dentro da Scuola Grandi di San Rocco... Extasiado, purificado, renovado, caí na besteira de visitar um templo da Arte Moderna, a casa de Peggy Guggeheim, onde se empilham os primórdios da Modernidade artística do Século XX".
Sua conclusão é - pasmei - a minha: um show de contrastes que me deu uma certeza: há qualquer coisa de podre na arte contemporânea... há uma ausência de esperança que danifica a obra de arte. Isso mesmo: esperança".
Caramba, tenho um irmão-de-armas na minha dor de ver o lixo sendo tratado como arte: Jabor! Tenho um companheiro no mal-estar que invade ao dar uma olhadeda nas Bienais: Jabor! Ele, como eu, acreditamos na beleza e na esperança que uma obra de arte, simplesmente por produzir na alma da gente genuína fruição poética, o prazer do belo. Ele, como eu, cita Stravvinsky, enchendo a boca: “A obra de arte tem de ser exaltante”.
Sua crônica termina com uma pergunta contundente: será que "o novo" não pode ser "um belo" que denuncie, com sua luz, sua esperança, a injusta vida?.
Jabor enfrenta, portanto, até mesmo a pergunta célebre de Adorno e de seus companheiros da Escola de Frankfurt, corrente filosófica de origem judaica-alemã: "Qual o sentindo de se escrever poemas depois do horror de Auschwitz?" O mesmo de sempre: fruição estética, denúncia (como o fazem também os profetas), expressão de toda gama de sentimentos (como o fazem também os salmistas), celebração e relevância.
Estou cheio da feiúra! Farto do cinza-escuro da fumaça escatológica de Blade Runner e seus congêneres menores, esse cinema do caos futurística e dos clichês baratos. Estou farto de Gerald Thomas e seu anti-teatro pseudo-cult. Estou farto do Trash (êta definição mais acertada) Metal e seus grunhidos sem sentido - e daqueles que chamam isso de música.
Música? Música é Bach, Jobim, Mozart, Lenine – melodia, harmonia, ritmo – a velha trinca. Gente, ruído não é música. Por favor! John Cage, Schoenberg, Miles Davis e toda gente do Free Jazz mais doido de tão outside que me perdoem! Quero melodias que me arrebatem! Estou farto dessa arquitetura besta das nossa cidades enfumaçadas do Novo Mundo Capitalista, que confunde gente com pombos. Não há beleza num pombal, por mais assimétrico que sejam suas formas. Estou até aqui dessa dança feia dançada por corpos idem de tão expostos e distorcidos, coreografia da decadência. Estou aturdido de tantos pseudos-Pollaks e seus quadros que, ok, se expressam algo do artista expressam seu ...vazio. Não precisa ser um retrato do Real, mas que não me angustie com o Nada. A Arte Moderna é velha como o Universo pré-edêmico: sem forma e vazia. Sem limites. Sem beleza. Estou enjoado dessa poesia do lixo, e olha que não sou contra a fragmentação de um Guimarães Rosa e de um Graciliano Ramos. Vejam como escrevem bem (bonito)! Poetas de verdade descrevem o lixo com luxo:
O Bicho (Manoel Bandeira )
Vi ontem um bichoNa imundície do pátiocatando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,Não examinava nem cheirava:Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,Não era um gato,Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
A contribuição de Schaeffer , ao tentar construir uma visão cristã do Ocidente e da Arte, pode ser até equivocada (senão ultrapassada) em alguns pontos (Brian McLaren, por exemplo, pensa assim), mas sua afirmação de que não há Graça na arte moderna é mais do que adequada.
A arte ficou sem Graça/graça, com maiúsculo e minúsculo.
Mas volto a Jabor: há mesmo qualquer coisa de podre na arte contemporânea. A poesia está mal das pernas. Vivemos em um mundo de prosa. Em um mundo de prosa, tudo fica prosaico, vulgar, material, sem elevação, corriqueiro, chão. A feiúra da Arte é o retrato do coração do homem de hoje, prosaico, feio, não-espiritual. O Real é belo, é Deus. Deus vive na realidade. Mas não temos olhos para ver o Real. O Belo é real. Minha querida Adélia Prado está certa: "só o visionário vê o real". Jabor, danado, que visionário é você! Deus o abençoe!
(texto de Gerson Borges, extraído do Portal Cristianismo Criativo.)
terça-feira, 30 de junho de 2009
Próxima Parada
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Próximo Sábado
Pra quem já viu e quer mais vento...
terça-feira, 9 de junho de 2009
De Pina

terça-feira, 26 de maio de 2009
Sobre Processo Criativo
Toda vez que pensamos em criatividade, nos remetemos imediatamente à idéia de inspiração, como uma força, um “vento” mágico que nos ofertaria, graciosamente, o conjunto de habilidades necessário à produção de coisas incontestavelmente novas.
Achamos, no final das contas, que a inspiração é um sopro (ou um fôlego de vida). Queremos criar, “do jeito que Deus criou”. A variante Laica, nem por isso menos mística dessa impressão é, talvez, a noção de gênio. Formulada por Kant e levada às últimas conseqüências pelo romantismo.
Do espelhamento ordinário das duas perspectivas, o que nos resta é de um lado um Deus “todo-razão”, lançando luz sobre as trevas do universo infinito e ordenando-o (“E disse Deus haja Luz [...] e disse Deus haja separação entre água e terra seca / entre dia e noite / entre firmamento e terra,...") e do outro, o homem iluminado, movido por algo de metafísico ou por uma disposição de animus inexplicavelmente criativa.
Fui convidado a dar uma palestra sobre processo criativo na faculdade, revirei minhas coisas, referências, bibliografias e, de repente, peguei-me lendo o livro de Gênesis – não era para falar sobre processo criativo? Então vamos ler o livro da criação – curiosamente, descobri que, ao contrário do que a tradição religiosa nos fez crer, o relato da criação do mundo, assim me pareceu ao menos, não nos fala da criatividade como pura iluminação, mas como processo. Diria até que podemos extrair do referido relato uma metodologia de trabalho. É exatamente isso que vamos tentar adiante.
Faço aqui uma ressalva, antes que os especialistas me acusem de heresia. Não pretendo abordar o texto de um ponto de vista hermenêutico rigoroso. Não pretendo discuti-lo de um ponto de vista teológico e especializado. Nem pretendo também criar nenhum novo movimento do tipo “criatividade profética”. Tomarei a liberdade de considerá-lo [“apenas”] sob o ponto de vista literário e, sendo assim, reservo-me ao direito de inventar sentidos, experimentar idéias, partilhar impressões, ao contrário de buscar saber o que “efetivamente” o texto quer dizer sobre esse assunto ou sobre qualquer outra coisa. Dito isso, vamos deixar de desculpas e partir para o que interessa.
“No principio criou Deus os Céus e a Terra”. Acompanhando a narrativa bíblica, a primeira coisa que percebemos é que Deus poderia ter criado o mundo num estalo, que o mundo poderia ter sido criado inteiro, todo pronto de uma vez – alguém duvida disso? As águas poderiam ter surgido junto dos peixes, que surgiriam no mesmo “instante” em que se deu a separação entre dia e noite, que se daria no mesmo instante em que surgira o próprio homem, e assim por diante.
Entretanto, a criação divina se divide em sete etapas. Cada coisa foi criada no seu devido “tempo”. Primeiro a luz, depois a separação entre luz e trevas, então nomeia o dia e a noite (criando, por assim dizer, o tempo), a seguir, separa o firmamento da Terra, terra seca e oceanos e assim por diante.
Uma das coisas que nos paralisa talvez, diante do desafio criativo, é a expectativa de que a criação deva se dar por inteira. Como se Deus tivesse dito – haja tudo. O relato da criação divina nos mostra, porém, que há um tempo para cada etapa que precisa ser cumprida num processo criativo. Mostra que criar depende de regras, de ordem e de método. Estudo, pesquisa, experimentação, tentativa e erro, substituição de idéias, rascunhos, papel amassado. Todas essas coisas precisam ser incorporadas e adequadas à sua metodologia de trabalho.
Outra observação importante é que a bíblia nos diz que entre um ato e outro da criação “houve tarde e manhã”. Paciência e disciplina são duas virtudes importantes sem as quais não há nenhum processo criativo consistente. O tempo é um agente criativo importante. Precisamos aprender a deixar o trabalho “entardecer”. Há sempre um momento de “ocaso” do processo. Momento de voltar para casa, repensar a cena, as cores, as notas ou arranjos.
Momento de amadurecer a idéia de uma nova cena, de deixar o ator pensar em suas falas, se acostumar com as marcas, etc. Momento de desligar do trabalho e pensar em outras coisas, assistir a coisas que nada tenham com ele, ouvir outras músicas. Às vezes nos fechamos demais num projeto e não percebemos que as “soluções” para ele podem vir de fontes inimagináveis. Temos, entretanto, que nos abrir para essas fontes. E passado esse entardecer, nos forçar também a voltar, afinal, já é dia e precisamos continuar com o trabalho. Como saber, porém, o momento do entardecer e o momento de retornar?
“Viu Deus que isso era bom”. A bíblia nos diz que Deus olhou para sua criação. Autocrítica é fundamental nesse momento. A crítica externa também, pessoas da área, de ministérios vizinhos – ficamos sempre tão isolados, o momento de ensaio parece uma ótima oportunidade de troca com “o pessoal do ministério de teatro da igreja ao lado” – não parece? Ouvir e saber julgar, construir parâmetros também para julgamento, assistir a outros ministérios, ver o que se está produzindo fora da igreja, ler, estudar, capacitar o olhar. Aprender a ver, não como o “irmão da igreja”, tão condescendente, mas de forma especializada, ver com qualidade e não apenas com boa vontade. Mas só isso, pois,“viu Deus que era bom”.
Vou insistir nessa fala para dizer que Deus não somente viu, mas também viu que era bom. Tão importante quanto ter um olhar franco e sem melindres é saber ver o que há de positivo em cada ponto do processo. Isso mesmo. Creio que a chave seja aprender a encarar o processo como processo (algo pode ser mais simples que isso?). Uma cena trabalhada pela primeira vez terá uma série de problemas, se eu for julgá-la como um produto acabado, o juízo será terrível, mas, como processo, posso avaliar o que conseguimos avançar, compreender os “defeitos” da cena como parte do material que precisa ser elaborado e reconhecer as conquistas possíveis para aquela etapa do trabalho.
De outra forma, ficamos travados, não conseguimos avançar porque os contornos do desenho estão mal feitos, porque não encontramos as cores certas, ou porque a inflexão correta não aparece. Estar sempre disposto a tentar, tentar é a graça, precisamos aprender. São os esboços de cena que nos preparam para as cenas mais perfeitas. Os desvios fazem parte do processo e isso é sempre muito bom.
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gen. 1:26)
“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida; e o homem passou a ser alma vivente.” (Gen. 2:7).
Ainda:
“Havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.” (Gen. 2:1)
Bom, quero terminar dizendo que nenhum processo criativo se faz sem trabalho ou sem descanso. Por um lado, Deus formou o homem, soprou em suas narinas. Criar o homem, numa expressão que causaria arrepio aos teólogos, deu trabalho a Deus. A criação não foi um ato gratuito e sem importância. Houve um investimento de Deus em nós e no mundo, por isso Ele pôde olhar para tudo e sentir, ao final, o prazer de uma realização. Mas não só isso, descansou Deus também no sétimo dia.
Há um momento do processo criativo no qual precisamos ter a coragem de descansar da criação. Dar o trabalho por encerrado. Trata-se de um ato de coragem, assumir os riscos de dizer – está acabado, foi isso o que eu produzi – e não poder de nada mais se desculpar. Algumas vezes é melhor ser mediano com pouco trabalho e poder sempre dizer – ensaiamos tão pouco – do que correr o risco de não sermos “geniais” ao final de todo nosso esforço. Talvez parte do que nos impeça de investir tudo o quanto podemos em um trabalho não seja realmente a preguiça, mas o medo de percebermos que, mesmo depois de tudo, não conseguimos fazer o suficiente.
Se me permitem terminar com um pequeno conselho, sempre que se der tudo, se terá dado o suficiente. Talvez não para aquela obra em particular, mas para o trabalho em geral. Nosso próprio ministério também é um processo, não se resume a um ou a outro episódio. O compromisso não é o de se fazer sempre coisas boas e memoráveis, mas o de crescer sempre com aquilo que se faz. Não fazer por acaso, não trabalhar de qualquer jeito, mas com método, ser sincero na autocrítica e corajoso ao encarar o processo. Compreendendo, por fim, que "o todo é maior que a soma das partes” e que tudo isso é sempre muito bom.
Que Deus os abençoe.
texto de Guido Conrado, extraído do Portal Cristianismo Criativo
quarta-feira, 13 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
A Igreja como Promotora de Arte
Uma das pessoas muito bacanas com as quais o Catavento estreitou laços é a Carol Gama. Artista plástica formada pela Unicamp e Produtora de Arte do Programa Plataforma, a Carol expôs seu belíssimo trabalho "Estandartes do Vento" no ArteCéu - espaço no qual o Catavento também se apresentou durante o Som do Céu 2009. A gente se deu muito certo e faz questão de trazer pra vocês um pouco da reflexão proposta pela Carol durante um dos debates que rolou por lá.
Aproveitamos para deixar aqui registrado nossa admiração pelo trabalho da Carol! Um beijo do catavento pra você, querida!
A Igreja como Promotora de Arte
Carolina Gama
"Recentemente fui convidada a participar de um debate cujo tema era “A igreja como promotora de arte”. Apesar da minha timidez e da tendência a fugir de confrontos, concordei em ir porque como artista e como cristã sei que o meu silêncio não é uma opção. Não acho que eu tenha muito a oferecer, confesso que tenho mais questionamentos do que respostas. Por isso optei por contar um pouco da minha experiência e de algumas reflexões que fiz ao longo do caminho na esperança de, com isso, dar uma pequena contribuição.
Tempos atrás, numa Bienal do Livro, assisti a um bate-papo entre a poetisa Adélia Prado e o Frei Beto. Em certo ponto da conversa o Frei Beto disse - “A Adélia olha para uma pedra e vê um diamante”. A Adélia, por sua vez, respondeu que ela não fazia nada, apenas servia de instrumento nas mãos de Deus. Nas artes, costuma-se ligar o termo “beleza” a coisas alegres, simétricas, coloridas e relaxantes. Eu prefiro o ponto de vista do Frei Beto. Penso que o artista que reproduz a beleza em seu trabalho, não é aquele capaz de recriar uma imagem com perfeição, que usa como tema apenas elementos da perfeita criação de Deus ou temas bíblicos. O artista que retrata a beleza em sua obra é aquele capaz de mostrar o mundo aos olhos de Deus. É aquele que propõe uma maneira completamente nova de olhar para as coisas, encontrando vida nos mais obscuros cantos do coração do homem, dando lugar de destaque ao que é considerado inútil, marginal, simples. É o que “olha para uma pedra e vê um diamante” e é capaz de comunicar isso ao outro.
Um exemplo muito conhecido de artista cristão foi Vincent Van Gogh. Por mais que tentem classificá-lo como “Impressionista” ou “Expressionista”, ele foi único, produzindo uma obra à frente do seu tempo, e oferecendo um jeito singular de olhar para o mundo. Quando foi para as minas de carvão da Bélgica, como um jovem missionário, fazia desenhos para vender e dar o dinheiro aos pobres. Mas o que ele desenhava eram os carvoeiros miseráveis que viviam a sua volta, em seus sofrimentos e beleza.
Há dois anos fui assistir a um sarau em uma igreja na cidade de São Paulo. O intuito dos organizadores não era apenas promover apresentações musicais, mas incluir no programa outras formas de arte. Para a exposição de artes plásticas compraram alguns metros de tecido preto (que deveriam cobrir as janelas) e neles fizeram uma “arte moderna”. Lambuzaram as mãos de tinta e imprimiram no tecido, espirraram tinta no tecido, etc. Tudo muito colorido no fundo preto. Esses tecidos foram pendurados. E em cima de cada um colocaram uma etiqueta com o nome da “obra” e do “artista”. Primeiramente, se considerarmos que aquelas cortinas eram obras, seria uma falta de respeito colar a legenda em cima delas, o mais adequado seria ao lado, na parede. Em segundo lugar, a técnica de arte escolhida demonstra o preconceito que existe de muitos com relação ao que é a arte moderna e contemporânea.
Quem não tem muito conhecimento das artes plásticas tem a tendência de achar que hoje qualquer coisa que se faça é arte. Não se leva em consideração o percurso histórico que levou artistas a fazerem uma arte aparentemente banal e fácil, e nem se leva em consideração o processo de trabalho do artista que não produz seu trabalho em cinco minutos, ou se o faz é devido a uma bagagem técnica e teórica acumulada. No caso dessa igreja, o intuito de promover a arte se tornou deboche e desrespeito. Poderia-se dizer que ao menos houve uma iniciativa desses irmãos. Mas eu tenho pensado muito sobre os recursos que temos e o quanto desfrutamos deles. E acredito que a desculpa de que “ao menos houve uma iniciativa” é inaceitável no contexto onde aquelas pessoas estavam inseridas.
São Paulo concentra uma variedade ampla de artistas plásticos, de museus e de galerias de arte. Os dois principais jornais da cidade divulgam diariamente exposições tanto de obras de arte históricas quanto de artistas contemporâneos. Quem não gosta de ir a museus, ou não tem tempo, encontra obras de artistas consagrados, como Tomie Ohtake, espalhadas pela cidade, em canteiros, praças ou calçadas. Nem o crente, que tem a desculpa de que só “consome” arte de artistas cristãos, tem desculpa. Existem muitos artistas plásticos profissionais que são cristãos, que atuam no meio secular. Alguns inclusive tem suas obras em museus e coleções importantes do país. Além disso, existe a internet, onde inúmeros artistas, museus e galerias do mundo todo exibem obras e fornecem informações sobre artistas e sobre o que são as artes plásticas e visuais. No mínimo existe o Wikipedia.
A igreja não pode promover a arte sem antes conhecê-la, compreender suas normas, sua essência, seus porquês. Como é possível promover algo que não se conhece? Se considerarmos que as artes são linguagem, como podemos dialogar sem escutar? O que a igreja tem feito em geral, é criar uma arte dentro de uma redoma, incapaz de dialogar com o mundo ao seu redor. E isto não é arte. No mínimo é uma arte aleijada, pobre e que não acrescenta nada.
Em um primeiro momento acredito que a igreja deve ser acima de tudo incentivadora da arte, estimulando seus membros a conhecer a arte, a frequentar exposições, apresentações, cinemas ou qualquer outro lugar onde a arte seja promovida de maneira séria e profissional. Deve-se desvincular a arte da instituição religiosa. Num segundo momento a igreja deve se prontificar a acolher essa realidade, suas contribuições, tensões, impressões, desfavores, contradições e acolher inclusive aqueles que escolherem enveredar por esse caminho."
domingo, 26 de abril de 2009
Geraldas e Avencas
Catavento e Suely Machado - Diretora do grupo de dança Primeiro Ato e Presidente da Associação Mineira de Dança (Unidança)Sexta foi dia de encontro e passeio... Depois de um "papo-cabeça" (cheio de sonhos, projetos e novas idéias) regado a um gostoso café, fomos assistir ao espetáculo "Geraldas e Avencas", do Grupo de Dança Primeiro Ato.
Vale muito a pena ver e rever! O trabalho trata sobre a fugacidade do conceito de beleza atual e sobre como as pessoas têm se submetido à mutilação e anulação de si próprios para se enquadrarem nesses parâmetros tão efêmeros do "belo".
Suely Machado, em entrevista ao Estadão (SP), diz: "Queremos instigar uma reflexão sobre esta padronização que estamos vivendo. Mostrar a possibilidade de um outro belo, que pode vir através de marcas e traços pessoais, o que de fato nos diferencia uns dos outros."
Zeca Baleiro foi o responsável pela trilha original e maravilhosa!
Se o grupo aparecer na sua cidade com esse espetáculo, não deixe de ir!
Por aqui, ficamos nós, cheinhas de avencas e sonhos...
Até!







